Cara Hunter, Porto Editora

Pura Raiva – Cara Hunter

Foi pura raiva!

SINOPSE

UMA RAPARIGA É RAPTADA NAS RUAS DE OXFORD. MAS ESTE É UM RAPTO DIFERENTE, PARA O INSPETOR FAWLEY.

Uma adolescente é encontrada a vaguear pelos arredores de Oxford, desorientada e angustiada. A história que Faith Appleford conta é assustadora: amarraram-lhe um saco de plástico na cabeça e levaram-na para um local isolado. Por milagre, sobreviveu. Mesmo assim, recusa-se a apresentar queixa.

O Inspetor Fawley investiga, mas há pouco que ele possa fazer sem a cooperação de Faith, que parece esconder alguma coisa. Mas o quê? E porque será que Fawley continua com a sensação de que já viu um caso como este?

Quando outra rapariga desaparece, Adam Fawley não tem escolha e tem mesmo de enfrentar o seu passado.

SINOPSE ALARGADA & OPINIÃO

Eis o quarto volume da série do Inspetor Adam Fawley! Acabamos o último livro com uma reviravolta totalmente inesperada, por isso, estava ansiosa por uma nova investigação e acompanhar um pouco mais da vida de cada uma das personagens.

A história começa quando, no dia 1 de abril, um taxista decide telefonar para a policia dando conhecimento de ter dado boleia a uma jovem que encontrou a vaguear na beira da estrada, em muito mau estado, ferida, com as roupas sujas e rasgadas. Com muita dificuldade as inspetoras Somer e Everett conseguem que a vítima, Faith, lhes diga o que aconteceu. Amarraram-lhe um saco na cabeça, enfiaram-na numa carrinha e levaram-na para um barracão algures, onde foi violentada. Quase por milagre conseguiu sobreviver, mas recusa-se terminantemente a apresentar queixa. A possibilidade de não se tratar de um crime isolado aumenta o desespero dos detetives, que precisam de uma queixa formal para iniciar a investigação.

Fawley, ao tomar conhecimento da situação sente de imediato que os contornos do crime lhe são familiares, reconhecendo o modus operandi. Quando outra rapariga, Sasha, é dada como desaparecida pela mãe e encontrada sem vida num cenário de extrema violência, o inspetor percebe que será inevitável, terá de enfrentar os fantasmas do passado, o que poderá interferir gravemente com a vida de outras pessoas.

Para mim esta foi uma leitura rápida, viciante e stressante, instigada pela vontade perceber os crimes, a forma como se interligavam e também o segredo que o inspetor tentava ocultar de todos. Acho que muitas vezes me senti como os responsáveis pela investigação, irritada e frustrada pelo caso não ter desenvolvimentos efetivos, pelos palpites errados, pela falta de provas concretas. A parte final é mais emocionante, a história ganha outro ritmo. As temáticas abordadas são muito atuais e pertinentes, o crime em si tem pormenores interessantes e algumas revelações da trama secundária para mim foram o melhor deste livro.

Como se a investigação por si só não fosse suficientemente interessante, a escritora ainda consegue fazer ligações super inteligentes com a vida pessoal das personagens, vidas essas que vão evoluindo de livro para livro, tornando-nos a nós leitores cada vez mais próximos. Esta é uma das principais razões que me faz gostar muito de ler séries.

Não digo que seja obrigatório, mas no caso desta série em específico, considero importante que a leitura seja feita por ordem. Cara Hunter tem-se tornado uma escolha segura no que toca a qualidade. Já se renderam? Eu já estou à espera da próxima investigação.

Rating: 9 out of 10.

Como habitualmente pesquisei alguns dos cenários do livro.

Rita Costa

Podem adquirir este livro aqui.

Um especial agradecimento à Porto Editora.

Os quatro volumes da série do inspetor Adam Fawley publicados em Portugal, por ordem:

  1. Perto de Casa
  2. No Escuro
  3. Sem Saída
  4. Pura Raiva

Alice Feeney, Porto Editora

Ele & Ela – Alice Feeney

Alguém está a mentir…

SINOPSE

Anna Andrews tem finalmente aquilo que sempre desejou, ou quase… Ao fim de muitos anos de trabalho árduo, conseguiu enfim tornar-se apresentadora do noticiário da BBC. Mas, porque o acaso se encarrega muitas vezes de desarranjar os sonhos, Anna vê-se novamente como repórter, a cobrir o assassinato de uma mulher em Blackdown, uma pacata vila inglesa onde ela própria viveu a sua infância e adolescência.

O inspetor-chefe Jack Harper deixou Londres por um motivo, mas nunca pensou que acabaria a trabalhar em Blackdown, e muito menos como principal suspeito do crime que está a investigar e que, de dia para dia, se reveste de contornos cada vez mais sinistros.

SINOPSE ALARGADA & OPINIÃO

As saudades que eu tinha de ler um thriller assim, que me agarrasse desde as primeiras páginas, com escrita simples e fluida, muitos segredos e reviravoltas, nível de mistério constante e um final imprevisível, aliás, que não lembra o diabo! Algures pelo meio ainda desconfiei, mas a história é, de tal forma manipuladora, que rapidamente perdi confiança na minha suposição.

A história é narrada em duas vozes, cada uma expressando o seu ponto de vista sobre cada situação. No entanto, estas personagens são tudo menos confiáveis, nenhuma delas parece ser absolutamente sincera. Todos temos segredos, e raramente o invólucro coincide com o interior.

Anna Andrews é apresentadora do noticiário One O’clock News da BBC, lugar que conquistou com muito esforço. Inesperadamente, retrocede ao seu antigo posto de repórter e vê-se obrigada a cobrir o assassinato de uma mulher em Blackdown, a sua terra natal. Jack Harper abandonou Londres e trabalha atualmente como inspetor-chefe de Blackdown. É o responsável pela investigação e, sem que dê por isso, torna-se também o principal suspeito.

Esta história é galopante, desde o primeiro capítulo. Ainda não havia acontecido o crime e a minha curiosidade já estava aguçada. Vamos remexer no passado das personagens e descobrir que as pessoas que nos rodeiam conseguem ser muito piores do que imaginamos. À medida que avançamos, vamos conhecendo diversas personagens, percebendo as suas ligações, fazendo conjeturas sobre a identidade do assassino. Aviso que existem gatilhos fortes, nem sei qual me perturbou mais.

Antes de escrever esta opinião fui reler algumas passagens para ter certeza que a revelação final fazia sentido e, realmente, fui muito bem manipulada! Não direi mais, sob risco de cometer algum spoiler. Adorei, recomendo e espero que a Porto Editora continue a editar os livros da autora.

Rating: 9.5 out of 10.

Não podiam faltar os cenários!

Rita Costa

Podem adquirir este livro aqui.

Um especial agradecimento à Porto Editora.

Ideias de Ler, José Soares, Porto Editora

Start & Stop – José Soares

Saber parar para manter o equilíbrio entre produtividade, saúde e bem-estar

SINOPSE

Sente que trabalha demasiadas horas? E, quando chega a casa e quer relaxar, só consegue pensar nas tarefas que deixou pendentes? Tem dificuldade em desligar e recuperar a energia de um dia para o outro?

Através da análise de casos reais, nos quais direta ou indiretamente nos revemos, o fisiologista e especialista em performance José Soares demonstra como os ambientes profissionais exigentes podem ter impacto negativo na nossa saúde física e mental, tornando cada vez mais frequentes os estados de cansaço, depressivos e até de burnout.

Com sugestões e estratégias fáceis de implementar, Start & Stop ensina-o a parar, a recuperar e a repor o equilíbrio necessário entre a vida pessoal e profissional, ajudando-o a melhorar a qualidade de vida sem comprometer a produtividade.

SINOPSE ALARGADA & OPINIÃO

Embora este livro não se enquadre nas minhas leituras habituais, mal vi que abordava a temática do stress laboral fiquei interessada porque é algo que me afetou muito e com o qual ainda estou a aprender a lidar diariamente. Sou engenheira civil e recentemente tirei o curso de técnico de exercício físico, o que me deixou com o tempo muito limitado e bastante ansiosa para cumprir com todos os objetivos.

Certamente muitos de vós sentem que trabalham demasiadas horas, gostariam de se conseguir desligar em pleno dos assuntos profissionais ao chegar a casa, relaxar e dormir bem para repor energias. É o equilíbrio que todos gostaríamos, mas que muito poucos conseguem alcançar.

Neste livro, José Soares, através de exemplos reais de pessoas que acompanhou, demonstra que as empresas exigem cada vez mais dos seus funcionários, impondo ritmos de trabalho incomportáveis que têm um impacto muito negativo na sua saúde física e mental. As exigências são de tal nível que as pessoas se veem “obrigadas” a abdicar de questões básicas como manterem uma alimentação saudável, fazerem pausas regulares no trabalho, conviverem, descansarem o necessário, culminando em estados de cansaço profundo e até em problemas mentais.

De forma simples, são-nos mostradas as potenciais consequências da adição pelo trabalho, nomeadamente o burnout, o estado de exaustão física e mental. Importa talvez referir que, em inúmeros casos, este estado não reflete um vício pelo trabalho, mas sim receio constante de sermos substituídos à menor falha ou indisponibilidade de realizar “horas extra”.

Este livro destina-se tanto às chefias e aos responsáveis de Recursos Humanos das empresas, como ao comum mortal que procura equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. São apresentadas diversas sugestões de medidas a implementar pelas empresas que resultarão no bem-estar dos seus funcionários, assim como estratégias que os colaboradores podem e devem adotar para atingirem estabilidade em termos de produtividade, bem-estar e saúde, algumas mais exigentes, outras muito exequíveis.

O autor apresenta uma escrita simplificada, praticamente sem termos complexos, acessível a todos os leitores interessados. Apesar de abordar algumas questões que são aparentemente óbvias, suporta-as, apresentando inclusive resultados de testes que realizou aos indivíduos. Apresenta algumas informações muito interessantes que corroboram que o equilíbrio é a chave para a longevidade. Pessoalmente, identifiquei-me com vários exemplos e houve uma descrição em concreto que me pareceu o retrato fiel de alguém com quem trabalho, que vive de tal forma assoberbado pelo trabalho e por inúmeras responsabilidades, tornando-se uma pessoa completamente impaciente e intolerante ao erro.

Neste compêndio está reunida informação fundamental para vivermos melhor, falta ser realmente aplicada e depende sobretudo de nós mesmos!

Rating: 9 out of 10.

Rita Costa 🖤

Selecionei imagens que representam algumas das informações abordadas ao longo do livro.

Podem adquirir este livro aqui.

Um especial agradecimento à Porto Editora e Editora Ideias de Ler.

Delia Owens, Porto Editora

Lá Onde O Vento Chora – Delia Owens

Preso no coração, O amor é como uma fera enjaulada, Que devora a própria carne, O amor quer-se livre, para ir onde quiser, Escolher o seu porto de abrigo, E respirar.

Amanda Hamilton, Lá Onde O Vento Chora

SINOPSE

Kya tem apenas seis anos de idade quando vê a mãe sair de casa, com uma maleta azul e sapatos de pele de crocodilo, e percorrer o caminho de areia para nunca mais voltar. À medida que todas as outras pessoas importantes na sua vida a vão igualmente abandonando, Kya aprende a ser autossuficiente: sensível e inteligente, sobrevive completamente sozinha no pantanal a que chama a sua casa, faz amizade com as gaivotas e observa a Natureza que a rodeia com a atenção que lhe permite aprender muitas lições de vida.

O isolamento em que vive durante tantos anos influencia o seu comportamento: solitária e fugidia, Kya é alvo dos mais cruéis comentários por parte dos moradores da pacata cidade de Barkley Cove. E quando o popular e charmoso Chase Andrews aparece morto, todos os dedos apontam na direção de Kya, a miúda do pantanal. É então que o impensável acontece.

SINOPSE ALARGADA & OPINIÃO

Finalmente li um dos recentes (salvo seja, pois foi publicado em 2019) hypes literários, “Lá Onde o Vento Chora” de Delia Owens, o qual prometia ser uma obra que me emocionaria e que não me desiludiu!

A pequena Kya viu-se abandonada pela mãe com apenas 6 anos. Aos poucos todos os irmãos seguiram o mesmo caminho, bem como o pai. Largada por todos, o instinto de sobrevivência falou mais alto e rapidamente aprendeu a ser autosuficiente, sobrevivendo com muito pouco. Apaixonou-se pelo pantanal e pelos seus animais, tudo o que sempre conheceu como casa e família.

Longe do mundo, as poucas interações que travou com outros seres humanos mostraram-lhe que não havia lugar para ela. Naturalmente foi criando barreiras, tornando-se cada vez mais solitária e esquiva. Contra todas probabilidades, cresceu e tornou-se uma mulher belíssima.

Quando um dos meninos de ouro de Barkley Cove morre de forma inesperada e inexplicável, a desconfiança da população recai em peso sobre Kya. Será a “Miúda do pantanal” capaz de provar a sua inocência?

Delia Owens tem o dom de nos fazer sentir uma forte conexão com a natureza que descreve. Se à partida a palavra “pântano” me poderia levar a pensar num sítio repleto de putrefação, a autora foi capaz de me provar que existe beleza nesse lugar recôndito.

A história de vida de Kya, mesmo não sabendo até que ponto poderá ser interpretada como verosímil, é profundamente inspiradora, pela forma como aquela criança é abandonada, vive (sobrevive) numa solidão impensável e cresce como um ser sensível e inteligente. É como uma lenda sobre solidão, sobrevivência, perserverança e amor, com a natureza selvagem como pano de fundo.

Apesar de um início lento, fiquei presa à narrativa na expetativa de descobrir o desfecho do caso, uma abordagem inteligente da escritora. A reviravolta final foi surpreendente, dando um termo brilhante à história!

Outros aspetos interessantes são as referências à segregação racial e à discriminação contra mulheres, presente na cidade ficcional de Barkley Cove, onde brancos e pretos não tinham acesso aos mesmos espaços, nem as mulheres podiam dirigir-se a alguns locais exclusivos dos homens.

Li esta obra numa fase de muito trabalho e cansaço, o que me impediu de desfrutar devidamente da sua leitura e arrastando-a por vários dias. Desta forma acabou por perder o seu impacto e por isso não consigo atribuir a pontuação máxima. Não entrando no pódio dos meus favoritos, este livro tem certamente um lugar especial no meu coração.

Rating: 9 out of 10.

Deixo-vos algumas imagens dos cenários ficcionais do livro, os quais espelham os contornos do meu imaginário.

Já leram este livro?

Rita Costa

Podem adquirir este livro aqui.

Marta, obrigada por me teres “obrigado” a ler este livro! Quando um livro se torna demasiado popular eu desenvolvo uma certa aversão, mas neste caso valeu absolutamente a pena. É popular com muito mérito!

Porto Editora, Richard Zimler

Insubmissos – Richard Zimler

Será essa a essência da fé – a certeza irracional de que estamos em segurança e de que alguém vela por nós?

Richard Zimler, Insubmissos

SINOPSE

Depois da morte de muitos dos seus amigos, um professor de guitarra clássica, mundano, judeu e antiga estrela da equipa de basquetebol de Greenwich Village, decide abandonar os Estados Unidos e procurar uma nova vida em Portugal. Mas aquilo a que ele chama o eclipse viral da sexualidade persegue-o até ali, quando António, o seu mais talentoso aluno, testa positivo para VIH e ameaça desistir da vida aos vinte e quatro anos. Desesperado por mostrar ao jovem que ele ainda tem um futuro pela frente, «o Professor» organiza uma viagem de carro com destino a Paris, esperando ser capaz de convencer um virtuoso a aceitá-lo como aluno. O pai de António, um homem rígido e presença distante na sua vida, decide acompanhá-los e, de passagem, os três mergulham num triângulo de aventuras, violência e revelações pessoais. Será que de caminho vão encontrar uma oportunidade de redenção?

SINOPSE ALARGADA & OPINIÃO

“Insubmissos”, ou como na edição original “Unholy Ghost“, foi publicado pela primeira vez em 1996 nos EUA e no Reino Unido, enquanto em Portugal havia sido recentemente publicado “O Último Cabalista de Lisboa”, o qual foi um enorme sucesso. Consequentemente, à data a editora da Quetzal, Maria da Piedade, perguntou a Zimler se tinha outro livro para publicar. Quando leu “Os Insubmissos” ficou rendida, mas também ciente que a obra e o autor seriam alvo de críticas e talvez quezílias, pelo que lhe recomendou que não deveriam avançar com a publicação. Portugal era um país preconceituoso. Infelizmente, ainda é.

Motivado pela pandemia da Covid-19, Zimler decidiu finalmente tirar “Insubmissos” do armário e partilhar com os portugueses esta bela obra.

Este livro conta a história de António, um jovem e promissor guitarrista, que acaba por contrair o vírus VIH. Fica completamente angustiado, sentindo que a sua vida acabou de ser decepada. Descreve-nos depois uma viagem entre as cidades do Porto e Paris, com paragem em Madrid, onde o seu professor e o seu pai, Miguel, lhe tentam transmitir que enquanto a doença não se apoderar dele ainda poderá ser feliz e brilhar enquanto músico.

Este percurso revela-se bastante atribulado, marcado por conflitos, impaciência e desespero. Sob este clima, todos os protagonistas revelam fragilidades e torna-se uma oportunidade de descoberta pessoal, funcionando como uma purga.

É impressionante que esta obra tenha sido escrita há mais de 20 anos, porque facilmente passaria por ser atual. Não se sente qualquer regressão na escrita do autor, a qualidade já estava bem patente, destacando-se até!

A quantidade de temas abordados ao longo da narrativa, que à medida que fui lendo nem me apercebi, é enorme, fala sobre VIH, homossexualidade, preconceitos, homofobia, amor no verdadeiro sentido da palavra, morte e a forma como lidamos (ou não) com ela, dependências (mais ou menos convencionais), arte, história, judeus, autoconhecimento, esperança, um sem fim de assuntos. Descreve a cidade do Porto como nunca a conheci e teria gostado.

O livro é especial pela forma como é escrito, por tudo o que nos transmite e pelas barreiras que tenta quebrar num país ainda muito tacanho. Talvez pela sua carga não o tenha conseguido ler ao meu habitual ritmo, exigindo de mim bastante atenção.

Rating: 8.5 out of 10.

Deixo-vos alguns dos magníficos cenários deste livro, desta aventura. Sim, porque este livro torna-se uma viagem para o leitor.

Rita Costa

Podem adquirir este livro aqui.

Emma Donoghue, Porto Editora

A Dança das Estrelas – Emma Donoghue

Será que o destino está escrito nas estrelas?

SINOPSE

Dublin, 1918.

Numa Irlanda duplamente devastada pela guerra e doenças, a enfermeira Julia Power trabalha num hospital sobrelotado e com falta de pessoal, onde grávidas que contraíram uma gripe desconhecida são colocadas em quarentena. Neste contexto já bastante difícil de gerir, Julia terá ainda de lidar com duas mulheres enigmáticas: a Dra. Kathleen Lynn, procurada pela polícia por ser uma líder revolucionária do Sinn Féin, e uma jovem ajudante voluntária sem experiência de enfermagem, Bridie Sweeney.

É numa enfermaria minúscula, escura e sem condições, que estas mulheres vão lutar contra uma pandemia desconhecida, perder pacientes, mas também trazer novas vidas ao mundo. No meio da devastação, histórias de amor e humanidade no dia a dia de mães e cuidadoras que, de várias formas, acabam por cumprir missões quase impossíveis.

SINOPSE ALARGADA

Decorre o ano de 1918 em Dublin, na Irlanda. A ação deste livro desenrola-se numa enfermaria de grávidas infetadas pelo vírus Influenza, doença conhecida como “gripe espanhola”. O país está devastado em consequência da Primeira Guerra Mundial e sofre agora às mãos de uma pandemia sem precedentes. Os hospitais estão sobrelotados e sem capacidade de resposta, por falta meios humanos e materiais.

A protagonista, a enfermeira Julia Power, tenta salvar as suas doentes e garantir que os seus bebés consigam nascer. Uma tarefa hercúlea num compartimento escuro e minúsculo. No decurso da história, conhece Bridie Sweeney, uma jovem que se disponibiliza para a ajudar como tarefeira, e a médica Kathleen Lynn, uma sufragista, líder revolucionária, perseguida pela polícia.

Ao longo dos três dias, Julia, uma mulher em muitos aspetos além do seu tempo, tudo fará para salvaguardar a vida das suas pacientes, com todo o amor e dedicação.

Apesar dos meus receios, o balanço foi bastante positivo. A reta final foi surpreendentemente intensa, deixando-me sem fôlego e de coração apertado. Gostava de ter sabido mais pormenores sobre o desfecho, mas creio que fez sentido ser rápido, emotivo e deixar em aberto o futuro. É um livro feminino, que retrata a amizade entre mulheres que lutam pela dignidade e igualdade de direitos, num país onde eram subjugadas a meras parideiras.

Desagradou-me o facto deste livro ter sido escrito com capítulos muito longos, o que desmoraliza a leitura. Não obstante, existe até uma razão para esta divisão, que se liga a um pormenor sobre a doença retratada. Dado que a ação decorre numa enfermaria obstetrícia e que a escrita é muito descritiva e gráfica, poderá este livro não ser ideal para pessoas mais suscetíveis. Não foi o meu caso.

Foi interessante conhecer mais sobre a pandemia do vírus influenza H1N1, compreender como foi difícil à data lutar contra um inimigo invisível com parcos recursos e conhecimentos científicos. No entanto, é de salientar que os cuidados eram semelhantes aos hoje adotados contra o coronavírus SARS-COV-2. Muitos outros aspetos são abordados ao longo do livro, numa inteligente mistura entre factos verídicos e ficção, nomeadamente política, traumas de guerra, luta pelos direitos das mulheres, crianças, trabalhadores, abuso infantil e sexualidade.

A nota final da autora é maravilhosa e fez-me gostar mais ainda do que li, demonstrando a qualidade do seu trabalho. Motivou-me de imediato a ir pesquisar sobre todas as temáticas. Sem me delongar mais, apesar dos seus enormes capítulos e das suas descrições capazes de afligir os mais frágeis, considero este um livro que merece ser lido!

Rating: 8.5 out of 10.

Nesta galeria deixo algumas fotografias que retratam alguns dos acontecimentos abordados ao longo deste livro.

Rita Costa

Podem adquirir este livro aqui.

Um especial obrigada à Porto Editora.

Andréa del Fuego, Porto Editora

Os Malaquias – Andréa del Fuego

Não é porque uma vela queimou que a parafina não existe mais.

Andréa del Fuego, Os Malaquias

SINOPSE

Serra Morena. Um raio esturrica o casal, em luz e carne. Os filhos ficam órfãos, com destinos diferentes. Antônio, o menino que não cresce. Nico, o patriarca engolido por um bule de café. Júlia, a menina em fuga permanente. Um lugar onde as sombras da terra e da água convivem. Onde a morte e a vida são o mesmo mundo. Um poema seco à humanidade de cada um de nós.

Uma escrita áspera mas poética, desenhada com a vertigem das memórias da família Malaquias, e que evolui como tributo pessoal da autora aos seus antepassados.

Transcendental e mágico, este romance do insólito revela-se uma leitura para o coração. Um livro forte, aclamado, invulgar.

SINOPSE ALARGADA & OPINIÃO

Em fevereiro, atravessei o Atlântico em busca da obra de Andréa del Fuego, vencedora do Prémio José Saramago em 2011. A autora partilha, carinhosamente, que a sua escrita é um reflexo das suas memórias de infância. Nestes recortes do passado, vivem as suas tias tecelãs traçando linhas verticais e horizontais. Volvidos estes anos, as linhas verticais transformam-se na linha do tempo e as horizontais apresentam-se como a base da construção da história. Terminar um livro é sinónimo de concluir as obras de arte das suas tias.

Selecionando as linhas, resgatando os seus antepassados e factos verídicos, um raio atravessa a casa da família Malaquias na Serra Morena. Este raio dividiu a casa entre a vida e a morte. Órfãos, Nico, Antônio e Júlia seguem caminhos diferentes, escolhidos por Geraldo Passos, dono da Fazenda Rio Claro. Nico, filho mais velho, dedica-se ao trabalho na fazenda e é engolido por um bule de café, Antônio é anão e cresce num orfanato, Júlia é adotada por uma mulher rica, mas vive em fuga constante da sua própria existência.

Cruzando as linhas, as vidas de cada um dos irmãos avançam e mostram sonhos, dores e descobertas. O meu coração viveu mergulhado nestas páginas na ânsia de assistir ao seu reencontro. Serra Morena é um punhado de terra, é o poder da água, é uma brilhante descrição de um Brasil rural que se enleia num realismo mágico e em metáforas que exigem compreensão e coração, um convite à reflexão sobre a nossa própria vida.

Terminadas as linhas e concluída a obra, esta é uma história comovente de vida e morte em comunhão, de sobressaltos e amor, onde me emocionei e deslumbrei, sobretudo, com os irmãos Malaquias. Inesperada, visceral e tocada pelo génio, Andréa del Fuego foi uma bonita descoberta.

Rating: 9 out of 10.

Tânia Dias

Podem adquirir este livro aqui.

Livros, Martha Batalha, Porto Editora

Um Castelo em Ipanema – Martha Batalha

Ah, se ela soubesse naqueles anos o que sabia agora. E mesmo que não soubesse, mas se tivesse tido coragem. Ah, se ela soubesse, ah, se ela tivesse.

Martha Batalha, Um Castelo em Ipanema

SINOPSE

Rio de Janeiro, 1968. Estela, recém-casada, mancha com lágrimas e rímel a fronha bordada do seu travesseiro. Uma semana antes ela estava na festa de passagem de ano que marcaria de modo irremediável o seu casamento. Estela sabia decorar uma casa, receber convidados e preparar banquetes, mas não estava preparada para o que aconteceu nesse dia.

Setenta anos antes, Johan Edward Jansson conhece Brigitta também durante uma festa de passagem de ano, em Estocolmo. Casam-se, mudam-se para o Rio de Janeiro e constroem um castelo num lugar ermo e distante do centro, chamado Ipanema.

Em Um castelo em Ipanema, Martha Batalha conta-nos como essas duas festas de Ano Novo definem a trajetória dos Jansson ao longo de 110 anos. É uma saga familiar imersa em história, construída com humor, ironia e sensibilidade. A riqueza e a complexidade dos múltiplos personagens criados pela autora permitem tratar de temas que se entrelaçam e definiram a sociedade brasileira nas últimas décadas, como o sonho da ascensão social, os ideais femininos e feministas, a revolução sexual, a reação ao golpe militar, a divisão de classes, a deterioração do país.

SINOPSE ALARGADA & OPINIÃO

A minha primeira impressão foi de estranheza, nunca antes li português do Brasil, mas tal como previ foi uma questão de páginas até me habituar, a leitura fluir e, mentalmente, incluir o sotaque. Esta história com meia verdade e meia ficção, algo que aprecio especialmente, transportou-me para um passado recente, num lugar quente e longínquo, para uma cultura totalmente distinta, levou-me até Ipanema.

A ação principal decorre nos anos 70, onde vemos a vida de Estela e Tavinho esmiuçada, percebemos os podres da sociedade da altura, que são em tudo análogos aos dos nossos dias, mas camuflados em falsos aparatos. Tudo começou no início do século XX em Estocolmo, quando Johan Jansson se apaixonou por Brigitta na noite de passagem de ano, foi amor à primeira vista. Por circunstâncias invulgares, este casal viu-se obrigado a emigrar para o Brasil, iniciando-se assim o império dos Jansson, dos loiros de pele curtida. Pouco tempo depois estabeleceram-se em Ipanema, onde construíram um castelinho em frente ao belo e revolto mar.

Esta história familiar que retrata uma longa vida de alegrias, conquistas, amarguras, sonhos e alguns arrependimentos, relembrou-me, com um nó na garganta, que a vida é demasiado curta para apenas existirmos, cabe-nos viver, agarrar oportunidades e perceber que se não estamos felizes a mudança depende maioritariamente de nós. Acompanhei de perto as consequências da falta de coragem e de seguir cegamente os preconceitos e regras sociais, do medo dos olhares alheios. Vemos as discrepâncias socioeconómicas, marcadas ora por pobreza, ora por ostentação, os preconceitos a diversos níveis, a revolução sexual, a emancipação da mulher, a ditadura militar e os seus meandros.

A escritora mostrou-se exímia a construir uma trama com uma base real, assente em acontecimentos verídicos que marcaram profundamente a história social e política do Brasil, usando personagens fictícias mas tão palpáveis que poderiam ter existido. A escrita de Martha Batalha é simples, com uma pitada de humor e ironia, ideal para aligeirar os temas que foram sendo misturados habilmente ao longo de mais de um século.

No final, falando no singular, registei sobretudo isto: prefiro arrepender-me de ter tentado.

Rating: 8.5 out of 10.

Eis algumas imagens reais dos cenários deste livro.

Podem adquirir este livro aqui.

Um especial agradecimento à Porto Editora.

José Rodrigues, Livros, Porto Editora

Dias de Outono – José Rodrigues

A paz mental é algo que a maturidade procura, mesmo de forma inconsciente…

José Rodrigues, Dias de Outono

SINOPSE

«O sentimento de felicidade pode dar medo. Medo de que, de repente, tudo se desmorone. Que o coração gele, depois de aquecer. Que a pele esfrie, depois de recolher os melhores pedaços do Sol.»

Os dias de Miguel são divididos entre a intensa atividade profissional e o apoio a Teresa, a sua tia, institucionalizada com uma doença irreversível. Na família encontra o conforto dos seus dias agitados, com Catarina e os filhos André e Tiago.
As alterações recentes na administração do banco onde trabalha, a degradação do casamento e os problemas vividos pelo filho adolescente levam Miguel a questionar as opções de vida. Ao mesmo tempo, retoma as memórias mais antigas, incluindo a sua vila no interior e a casa onde nasceu e viveu, criado por Teresa, num ambiente de permanente felicidade.
Quando o mundo de Miguel parece desabar, passado e presente unem-se numa longa jornada de salvação e de mudança de prioridades, onde o amor se transforma no principal caminho para a reconstrução da felicidade, mesmo quando a perda e a saudade pareciam não querer dar tréguas…

SINOPSE ALARGADA & OPINIÃO

Ao longo deste livro conhecemos a vida de Miguel, um homem natural de uma pequena vila nortenha, de onde partiu há muitos anos rumo à capital para estudar. Em Lisboa conheceu Catarina, a mãe dos seus dois filhos, André e Tiago.

De Vilar de Centena trouxe a sua tia Teresa, quando esta começou a sofrer de Alzheimer, internando-a numa instituição especializada. Esta senhora é a luz dos olhos do sobrinho, uma segunda mãe para ele, a representação da felicidade que viveu em tempos.

Miguel tarde se apercebeu que a vida lhe fugia entre os dedos. Somente quando a sua vida profissional, pessoal e familiar começou a desmoronar a olhos vistos tomou consciência que as suas prioridades há muito estavam trocadas. Foi preciso o futuro do seu filho mais novo, Tiago, estar seriamente ameaçado para que tomasse uma atitude.

A vida deste homem tomou, a partir deste momento, um rumo inesperado, que só a coragem de um pai extremoso tornou possível. Num vaivém de acontecimentos que abalam o mais forte dos corações vamos acompanhar esta história de amor e saudade.

Existem diversos escritores muito dotados, alguns com escritas tão complexas que nem sempre estão ao alcance do comum mortal. Depois existem escritores como José Rodrigues que com uma simplicidade e enorme leveza montam uma narrativa fluída, com uma escrita cuidada e carinhosa e nos transporta até lugares, cheiros e, sobretudo, sentimentos. Por estranho que possa soar, é o que sinto ao ler os seus livros, que cada palavra, cada frase, carrega sentimentos. Não é uma escrita oca, pelo contrário, impele-me sempre a pensar na minha própria vida, nas decisões que tenho tomado, na forma como trato quem me rodeia.

Julgo nunca ter mencionado isto, mas não aprecio de todo livros puramente de autoajuda, incomoda-me a ideia de roteiros que nos tentam ensinar como conduzir a nossa própria vida, que é algo tão pessoal, tão único. Neste sentido, agrada-me o impacto que este romance poderá ter na vida de determinadas pessoas, relembrando-as que não basta amar, por vezes temos realmente de dar mostras desse sentimento e de priorizar as pessoas mais importantes da nossa vida!

Esta história tão familiar, que facilmente poderia ser a de qualquer um de nós, repleta de altos e baixos, permitiu-me viver as dores e as alegrias de cada uma das personagens como se fossem as minhas e daí retirar preciosos ensinamentos.

Existem dois momentos-chave, um deles em que me deu um enorme aperto na garganta e dificuldade em engolir, e outro pelo qual ansiei durante muitas páginas, que me colocou com um sorriso no rosto.

Por vários motivos foi um prazer ler este livro, ou não fosse o Outono a minha estação favorita, com tudo o que ela implica. Roubei meio ponto ao livro pelo simples facto de que queria um final que não me tivesse deixado no vácuo e talvez por um acontecimento, em particular, que me pareceu demasiado sensato para ser verosímil.

Com pena minha, verifiquei que Vilar de Centena é um lugar ficcional, certamente inspirado num qualquer lugar deste Portugal. Deixo como habitualmente alguns dos cenários deste livro.

Não posso deixar de referir que as fotografias da Sara Augusto são parte integrante deste livro e que o tornam mais especial ainda.

Rita Costa

Podem adquirir este livro aqui.

Um especial obrigada à Porto Editora.

Livros, Porto Editora, Viola Ardone

O Comboio das Crianças – Viola Ardone

O partigiano, portami via, o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao! O partigiano, portami via, ché mi sento di morir.

Bella ciao

SINOPSE

Nápoles, 1946
Amerigo, um menino de sete anos, deixa a vida que sempre conheceu em Nápoles e parte num comboio. Não sozinho, mas no meio de milhares de outras crianças do Sul de Itália que atravessam o país para passarem alguns meses com uma família do Norte, enquanto a sua terra natal se reconstrói do caos e da destruição.
Com o espanto típico de uma criança de sete anos e a astúcia de um rapaz de rua, Amerigo mostra-nos uma Itália que renasce da guerra e conta-nos como, mesmo renunciando a tudo – até ao amor da própria mãe, é nessa viagem que descobre o seu verdadeiro destino.

SINOPSE ALARGADA & OPINIÃO

Sabem aquele livro que nos aquece o coração? Foi este, sem dúvida! Com uma enorme simplicidade, a escritora Viola Ardone retratou uma das mais bonitas iniciativas de solidariedade, num tempo em que realmente se dava sem a mão estendida para receber.

No rescaldo da Segunda Guerra Mundial, Nápoles estava mergulhada em destroços e numa pobreza extrema. Não havia comida, nem tão pouco condições de salubridade. Assim, lembrou-se o Comité para a Salvação das Crianças de Nápoles de enviar milhares de crianças (cerca de 70.000) para a região Norte de Emilia-Romagna, onde várias famílias as receberam e alimentaram durante um certo período de tempo, enquanto o Sul tentava recuperar.

Neste romance, o pequeno Amerigo Speranza, dá-nos a conhecer a sua história de vida. No ano de 1946, este menino com 7 anos vivia com a sua mãe, Antonietta, em Nápoles, num basso minúsculo e sem condições. A mãe, ao saber das intenções de transportar as crianças até ao Norte do país, temeu, hesitou mas creu que poderia ser essa a salvação do seu filho e também a sua.

Então, algures no inverno, partiu Amerigo e milhares de outras crianças rumo ao desconhecido, no chamado “treni della felicità”. No Norte, em Modena, não só foi acolhido, nutrido, como também muito amado por uma família especial. Teve oportunidades e experiências que a vida de rua no Sul nunca lhe havia permitido.

No seio da sua família adotiva descobriu o seu destino, algo que num tempo de tanta miséria era inaceitável, pelo que para o alcançar teve que abdicar do amor da sua mãe.

Quando terminei a leitura o meu pensamento genuíno foi “Gostei tanto de ler este livro!”. Com uma escrita simples, porque obviamente é uma narrativa infantil, mas muito terna, inocente e, algo até divertida, o que dadas as circunstâncias é maravilhoso, consegui mergulhar numa época negra da história.

Gosto sempre de conhecer um pouco mais dos acontecimentos associados à 2ª Guerra Mundial, sobretudo de outros países menos abordados na literatura. Desconhecia por completo esta iniciativa. Foi de louvar a atitude das famílias do Norte, a forma como acolheram os filhos de estranhos e lhes deram o melhor que tinham.

A última parte do livro foi um abalo para o meu coração, foi difícil não me desfazer em lágrimas. Uma das maiores dores que o ser humano pode sentir é o arrependimento. Adorei, de coração, e recomendo muito!

Rating: 9 out of 10.

Algo que me ajuda a tornar uma história real é pesquisar se os factos são reais, inspirados ou fictícios e ver como eram os locais retratados. O pequeno Amerigo é uma criação da escritora, com base nos testemunhos que obteve.

Nestas fotografias observam-se os bassos napolitanos, apartamentos muito pobres, geralmente com apenas um compartimento, no piso térreo. O espaço era tão exímio que as pessoas acabavam por viver quase todo o tempo na rua.

Mais algumas fotografias que retratam os acontecimentos reais nos quais se baseia o livro: a pobreza, as ruas destruídas, os bassos, o comboio das crianças e receção das famílias do Norte.

Rita Costa ❤

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