Companhia das Letras, João Tordo, Livros

Felicidade – João Tordo

A vida começou e terminou com Felicidade.

SINOPSE

Lisboa, 1973
Nas vésperas da revolução, um rapaz de dezassete anos, filho de um pai conservador e de uma mãe liberal, cai de amores por Felicidade, colega de escola e uma de três gémeas idênticas.
As irmãs Kopejka são a grande atracção do liceu: bonitas, seguras, determinadas, são fonte de desejos e fantasias inalcançáveis.

Respira-se mudança – a Europa a libertar-se das suas ditaduras e Portugal a despedir-se da velha ordem – e vive-se a promessa da liberdade, com todos os seus riscos e encantos. É neste tempo e neste mundo, indeciso entre tradição e modernidade, que o nosso narrador cai num abismo pessoal.

A primeira noite de amor com Felicidade acaba de forma trágica, e o jovem vê-se enredado na malha inescapável das trigémeas Kopejka, três Fúrias que não tem poderes para controlar. À semelhança de uma tragédia grega, o herói encontra-se subjugado por forças indomáveis, preso entre dois mundos.

Felicidade é uma história de amor e assombração nas décadas que transformaram Portugal. Um romance enfeitiçante, repleto de ironia e humor, de remorso e melancolia, em que João Tordo aborda os temas do amor e da morte, e das pulsões humanas que os unem.

SINOPSE ALARGADA & OPINIÃO

Finalmente atingi o porquê da insistência de diversas pessoas para que lesse as obras de João Tordo. Não obstante à história, a magia reside na sua escrita, que tem tanto de profundo, como de leve, que parece tão elaborada, com palavras escolhidas a dedo, mas que não se torna pretensiosa, nem fora do alcance do comum mortal leitor.

Tudo começou com uma história de amor. Um rapaz de 17 anos apaixonou-se pela rapariga mais cobiçada da escola, Felicidade de seu nome, uma das trigémeas Kopejka. Este trio constituía a admiração de todos, o desejo dos rapazes e a inveja das raparigas.

Num Portugal em plena fase de mudança, quase a quebrar um longo período de ditadura, vemos o narrador deste livro a sucumbir ao seu destino soturno, quando este o brindou com a melhor e a pior noite de amor do resto da sua vida. A partir deste momento, tudo se parece com uma tragédia grega.

Acompanhamos a vida do protagonista desde a adolescência até à vida adulta, uma existência através da qual se arrasta, ano após ano. Pessoalmente foi uma leitura que me deixou revoltada, com vontade de dar um abanão àquele homem fraco e vencido, incapaz de erguer a cabeça, que sempre se vitimizou.

A sua relação com as três gémeas foi estruturada de forma brilhante. Como se estas raparigas tivessem poderes mágicos e fossem capazes de fazer e desfazer deste homem, incapaz de controlar o seu próprio destino. Mas a verdade é bem mais retorcida. Será esta citação capaz de vos motivar?

A primeira das trigémeas foi o meu grande amor; a segunda, a minha mulher; a terceira, participante involuntária da minha ruína.

João Tordo, Felicidade

Como não podia deixar de ser, deixo-vos os cenários do livro para vos suscitar maior curiosidade.

Se há característica que me atrai num livro é a capacidade de o escritor construir personagens e situações passíveis de me deixarem realmente afetada, zangada, irritada. Isto aliado à escrita do autor e a um final, no mínimo improvável, comprou o meu coração. Aguardam-me já outros três livros seus na estante.

Tudo tão bom, então porque não atribuí a máxima pontuação? Não é um defeito, é um gosto pessoal, uma aversão minha, há um tema abordado que me incomoda bastante, mas não o suficiente para me fazer desistir porque é desenvolvido de forma ligeira.

Não tendo lido outras obras não posso afirmar que este seja melhor, ou pior, posso porém dizer que gostei muitíssimo desta e que lerei as de mais.

Rating: 9 out of 10.

Rita Costa

Podem adquirir este livro aqui.

Um especial obrigada ao Grupo Editorial Penguin.

Livros, Martha Batalha, Porto Editora

Um Castelo em Ipanema – Martha Batalha

Ah, se ela soubesse naqueles anos o que sabia agora. E mesmo que não soubesse, mas se tivesse tido coragem. Ah, se ela soubesse, ah, se ela tivesse.

Martha Batalha, Um Castelo em Ipanema

SINOPSE

Rio de Janeiro, 1968. Estela, recém-casada, mancha com lágrimas e rímel a fronha bordada do seu travesseiro. Uma semana antes ela estava na festa de passagem de ano que marcaria de modo irremediável o seu casamento. Estela sabia decorar uma casa, receber convidados e preparar banquetes, mas não estava preparada para o que aconteceu nesse dia.

Setenta anos antes, Johan Edward Jansson conhece Brigitta também durante uma festa de passagem de ano, em Estocolmo. Casam-se, mudam-se para o Rio de Janeiro e constroem um castelo num lugar ermo e distante do centro, chamado Ipanema.

Em Um castelo em Ipanema, Martha Batalha conta-nos como essas duas festas de Ano Novo definem a trajetória dos Jansson ao longo de 110 anos. É uma saga familiar imersa em história, construída com humor, ironia e sensibilidade. A riqueza e a complexidade dos múltiplos personagens criados pela autora permitem tratar de temas que se entrelaçam e definiram a sociedade brasileira nas últimas décadas, como o sonho da ascensão social, os ideais femininos e feministas, a revolução sexual, a reação ao golpe militar, a divisão de classes, a deterioração do país.

SINOPSE ALARGADA & OPINIÃO

A minha primeira impressão foi de estranheza, nunca antes li português do Brasil, mas tal como previ foi uma questão de páginas até me habituar, a leitura fluir e, mentalmente, incluir o sotaque. Esta história com meia verdade e meia ficção, algo que aprecio especialmente, transportou-me para um passado recente, num lugar quente e longínquo, para uma cultura totalmente distinta, levou-me até Ipanema.

A ação principal decorre nos anos 70, onde vemos a vida de Estela e Tavinho esmiuçada, percebemos os podres da sociedade da altura, que são em tudo análogos aos dos nossos dias, mas camuflados em falsos aparatos. Tudo começou no início do século XX em Estocolmo, quando Johan Jansson se apaixonou por Brigitta na noite de passagem de ano, foi amor à primeira vista. Por circunstâncias invulgares, este casal viu-se obrigado a emigrar para o Brasil, iniciando-se assim o império dos Jansson, dos loiros de pele curtida. Pouco tempo depois estabeleceram-se em Ipanema, onde construíram um castelinho em frente ao belo e revolto mar.

Esta história familiar que retrata uma longa vida de alegrias, conquistas, amarguras, sonhos e alguns arrependimentos, relembrou-me, com um nó na garganta, que a vida é demasiado curta para apenas existirmos, cabe-nos viver, agarrar oportunidades e perceber que se não estamos felizes a mudança depende maioritariamente de nós. Acompanhei de perto as consequências da falta de coragem e de seguir cegamente os preconceitos e regras sociais, do medo dos olhares alheios. Vemos as discrepâncias socioeconómicas, marcadas ora por pobreza, ora por ostentação, os preconceitos a diversos níveis, a revolução sexual, a emancipação da mulher, a ditadura militar e os seus meandros.

A escritora mostrou-se exímia a construir uma trama com uma base real, assente em acontecimentos verídicos que marcaram profundamente a história social e política do Brasil, usando personagens fictícias mas tão palpáveis que poderiam ter existido. A escrita de Martha Batalha é simples, com uma pitada de humor e ironia, ideal para aligeirar os temas que foram sendo misturados habilmente ao longo de mais de um século.

No final, falando no singular, registei sobretudo isto: prefiro arrepender-me de ter tentado.

Rating: 8.5 out of 10.

Eis algumas imagens reais dos cenários deste livro.

Podem adquirir este livro aqui.

Um especial agradecimento à Porto Editora.

Alma dos Livros, Livros, Rachel Amphlett

Alguém Está a Mentir – Rachel Amphlett

Alguém diz a verdade?

SINOPSE

Bec, David, Hayley, Simon e Lisa são amigos desde sempre. No aniversário de Lisa, decidem organizar uma aventura especial e emocionante – o desafio de se evadirem de uma escape room. Aquilo que pensavam que viria a ser uma aventura perfeita tornar-se-ia o maior pesadelo das suas vidas.

Só sabemos quem são os nossos amigos ao enfrentarmos a morte juntos.

Lisa acorda no hospital com uma terrível sensação de angústia e vazio. As suas últimas memórias são de estar naquela escape room a comemorar o seu aniversário com os amigos. Porém, descobre agora que um deles está morto – e que lhe salvou a vida – e os restantes parecem querer evitá-la.

Sem se lembrar do que aconteceu, Lisa está determinada a descobrir a verdade, mas, quanto mais se questiona, mais confusa fica. É então que mergulha nas profundezas do passado do resto dos sobreviventes e se depara com revelações aterradoras.

À medida que recupera, Lisa desvenda um rasto de segredos bem guardados, rumores perturbadores e mentiras desconcertantes. Alguém está a fazer tudo para encobrir a verdade.

SINOPSE ALARGADA & OPINIÃO

Digam o que disserem, se um thriller psicológico te faz desconfiar de todos, já é vencedor!

O mote é simples mas provocou o efeito esperado, muita curiosidade. É um daqueles livros que poderia perfeitamente ser a base de um dos muitos filmes que devorei há alguns anos. Cinco amigos, uma festa de aniversário diferente numa “sala de fuga” e uma morte inesperada. Lisa, David, Bec, Simon e Hayley entram, mas apenas quatro saem com vida.

Lisa acorda num hospital, sente-se atordoada e com muitas dores. Acaba por perceber que sofreu uma intervenção cirúrgica. Fragilizando-a mais ainda, é informada que um dos amigos morreu. Não se consegue recordar de praticamente nada e o facto de os amigos a estarem a evitar deixa-a cada vez mais ansiosa.

Lentamente, a memória e a necessidade de compreender as estranhas atitudes dos amigos irão trazer à superfície segredos que tentavam desesperadamente assim permanecer.

É um thriller psicológico que me agarrou desde o primeiro capítulo. Apresenta uma escrita fluída e capítulos bastante curtos, dedicados individualmente a cada uma das personagens, explorando os meandros das mentiras que cada uma tenta ocultar. Todos me pareceram sempre extremamente culpados, se não de tudo, de algo.

Não me foi possível criar grande conexão com nenhuma das personagens, mas quase diria que foi essa a intenção da escritora, criar índoles dúbias, defeituosas. Todos tinham demasiados podres, todos mentiam, todos contavam meias verdades. Talvez a Lisa, a personagem principal, me tenha de algum modo cativado mais, mas até mesmo sobre ela me foram sendo injetadas dúvidas.

Pecou pelo desfecho, que foi demasiado apressado, tive a sensação que debitaram informações em tempo recorde, quando poderia, pelo seu conteúdo, ter sido muito melhor explorado. Quero acreditar que numa situação semelhante não me deixaria cegar, mas temo que sim. Não estamos naturalmente programados para desconfiar de quem nos é mais próximo. No final, nada, nem ninguém é realmente o que aparenta.

Foi uma leitura bastante viciante, portanto, sim, recomendo a leitura deste primeiro livro editado em Portugal da escritora Rachel Amphlett aos fãs do género. Será definitivamente uma muito boa opção para quem se está a iniciar.

Analisando a lista das restantes obras da escritora, que é vasta, espero sinceramente que a editora Alma dos Livros continue a editar os seus livros, especialmente a coleção da Detetive Kay Hunter.

Rating: 8 out of 10.

Para suscitar a vossa curiosidade, selecionei alguns dos cenários deste livro.

Rita Costa 

Podem adquirir este livro aqui.

Um especial obrigada à editora Alma dos Livros.

Ciríaco de Brito Nóbrega, Imprensa Académica, Livros

Os Mistérios do Funchal – Ciríaco de Brito Nóbrega

Há remorsos impossíveis de suportar.

SINOPSE

Os Mistérios do Funchal desenvolve-se à volta de Margarida, jovem modesta e bonita. É um romance que envolve a ganância, o sofrimento, o desespero, a clausura e a miséria, mas também o amor, o respeito, a proteção e a dignidade.

Pesa uma herança, a maldita herança, que motiva tanta contrariedade e remorso, até ao dia em que Margarida, finalmente, poderá chegar ao perdão.

SINOPSE ALARGADA & OPINIÃO

Acompanharemos ao longo deste livro a vida de infortúnios de Margarida, filha de um humilde merceeiro que muito a amava, mas que se viu incapaz de suplantar a lacuna da mãe. Esta jovem passou por muito sofrimento, desde um amor impossível, enclausuramento, irremediáveis e dolorosas perdas, fome, miséria, doença, até mesmo ser alvo de uma vingança irascível. Por sorte, foi também dignada de muito amor e respeito.

Para vos despertar um pouco mais o interesse para esta leitura, levanto levemente o véu deste romance. Margarida lutou muito com o seu coração para se manter fiel aos seus sentimentos, algo incomum numa época em que o conforto financeiro era fundamental. As difíceis circunstâncias da vida fizeram-na enxergar que existem distintas formas de amor, agarrando finalmente o inestimável carinho que Augusto D. nutria por ela. Quis a vida uma vez mais dececioná-la, pondo-a sob a mira de um dos mais terríveis sentimentos, a inveja.

Este romance foi publicado pela primeira vez em 1881 no Diário da Madeira. Na sua versão original, não continha indicação do autor, havendo apenas esta referência “Três homens unidos pelo mesmo pensamento e compenetrados do mesmo fim colaboram neste romance.”, numa tentativa de ludibriar os leitores.

“Os Mistérios do Funchal” foi o segundo livro da coleção Ilustres (Des)Conhecidos, publicado pela imprensa Académica em 2018. Esta obra foi recuperada a partir de um exemplar original da Biblioteca Municipal do Funchal. A coleção, que entretanto cresceu, é composta por diversas obras de autores madeirenses que foram abandonados ao esquecimento.

Este livro é composto por duas partes, “A Herança Maldita” e “Os Prébolos”, além de uma Nota Introdutória e, do mais importante, o Posfácio. Nesta última parte são-nos dados a conhecer pormenores sobre esta obra, que tudo indica ser linhagem direta de “Les Mystères de Paris” de Eugène Sue, obra que inspirou diversos romances-folhetim publicados na europa e no mundo durante o século XIX, designados por “mistérios urbanos”.

Há muito que não lia um livro assim! Embora goste imenso de Eça de Queirós e de Camilo Castelo Branco, naturalmente os livros contemporâneos têm ocupado o meu tempo. Toda a história, todo o “mistério” foi interessante, rapidamente me senti envolta no ambiente e, não obstante a ter sido escrito há mais de um século, foi de fácil leitura.

Nesta reedição houve especial cuidado em tentar corrigir algumas lacunas, sem no entanto desvirtuar o original. Durante a leitura, sobretudo da primeira parte, tive a sensação de o livro estar inacabado, como se o autor tivesse escrito sem certeza e sem muita orientação, facto que vai de encontro a esta obra ter sido, supostamente, escrita em apenas oito dias. Não obstante, finalizado o mistério, a obra cumpre distintamente o seu propósito:

… denunciar formas de corrupção, apelar para a moralização dos costumes e invocar uma maior justiça social.

Círiaco de Brito Nóbrega, Os Mistérios do Funchal.

Esta foi uma leitura que, mais do que me entreter e me fazer pensar nas desventuras de outros tempos, me deu a conhecer um género literário que desconhecia por completo, me fez pesquisar pelos vários mistérios urbanos, especialmente “Os Mistérios de Lisboa” e me fez querer reler alguns dos meus livros favoritos.

Rating: 8.5 out of 10.

Como habitualmente, eis alguns dos cenários deste livro.

Rita Costa

Podem adquirir este livro aqui.

Na galeria seguinte encontram-se os restantes livros da coleção Ilustres Des(Conhecidos).

Importa salientar que a Imprensa Académica é uma editora universitária, criada em 2014, responsável por publicações resultantes da investigação cientifica e também do foro cultural, como são as obras da coleção Ilustres (Des)Conhecidos. A venda destas obras é um forte contributo para diversos programas de apoio social.

Um especial obrigada à Imprensa Académica.

José Rodrigues, Livros, Porto Editora

Dias de Outono – José Rodrigues

A paz mental é algo que a maturidade procura, mesmo de forma inconsciente…

José Rodrigues, Dias de Outono

SINOPSE

«O sentimento de felicidade pode dar medo. Medo de que, de repente, tudo se desmorone. Que o coração gele, depois de aquecer. Que a pele esfrie, depois de recolher os melhores pedaços do Sol.»

Os dias de Miguel são divididos entre a intensa atividade profissional e o apoio a Teresa, a sua tia, institucionalizada com uma doença irreversível. Na família encontra o conforto dos seus dias agitados, com Catarina e os filhos André e Tiago.
As alterações recentes na administração do banco onde trabalha, a degradação do casamento e os problemas vividos pelo filho adolescente levam Miguel a questionar as opções de vida. Ao mesmo tempo, retoma as memórias mais antigas, incluindo a sua vila no interior e a casa onde nasceu e viveu, criado por Teresa, num ambiente de permanente felicidade.
Quando o mundo de Miguel parece desabar, passado e presente unem-se numa longa jornada de salvação e de mudança de prioridades, onde o amor se transforma no principal caminho para a reconstrução da felicidade, mesmo quando a perda e a saudade pareciam não querer dar tréguas…

SINOPSE ALARGADA & OPINIÃO

Ao longo deste livro conhecemos a vida de Miguel, um homem natural de uma pequena vila nortenha, de onde partiu há muitos anos rumo à capital para estudar. Em Lisboa conheceu Catarina, a mãe dos seus dois filhos, André e Tiago.

De Vilar de Centena trouxe a sua tia Teresa, quando esta começou a sofrer de Alzheimer, internando-a numa instituição especializada. Esta senhora é a luz dos olhos do sobrinho, uma segunda mãe para ele, a representação da felicidade que viveu em tempos.

Miguel tarde se apercebeu que a vida lhe fugia entre os dedos. Somente quando a sua vida profissional, pessoal e familiar começou a desmoronar a olhos vistos tomou consciência que as suas prioridades há muito estavam trocadas. Foi preciso o futuro do seu filho mais novo, Tiago, estar seriamente ameaçado para que tomasse uma atitude.

A vida deste homem tomou, a partir deste momento, um rumo inesperado, que só a coragem de um pai extremoso tornou possível. Num vaivém de acontecimentos que abalam o mais forte dos corações vamos acompanhar esta história de amor e saudade.

Existem diversos escritores muito dotados, alguns com escritas tão complexas que nem sempre estão ao alcance do comum mortal. Depois existem escritores como José Rodrigues que com uma simplicidade e enorme leveza montam uma narrativa fluída, com uma escrita cuidada e carinhosa e nos transporta até lugares, cheiros e, sobretudo, sentimentos. Por estranho que possa soar, é o que sinto ao ler os seus livros, que cada palavra, cada frase, carrega sentimentos. Não é uma escrita oca, pelo contrário, impele-me sempre a pensar na minha própria vida, nas decisões que tenho tomado, na forma como trato quem me rodeia.

Julgo nunca ter mencionado isto, mas não aprecio de todo livros puramente de autoajuda, incomoda-me a ideia de roteiros que nos tentam ensinar como conduzir a nossa própria vida, que é algo tão pessoal, tão único. Neste sentido, agrada-me o impacto que este romance poderá ter na vida de determinadas pessoas, relembrando-as que não basta amar, por vezes temos realmente de dar mostras desse sentimento e de priorizar as pessoas mais importantes da nossa vida!

Esta história tão familiar, que facilmente poderia ser a de qualquer um de nós, repleta de altos e baixos, permitiu-me viver as dores e as alegrias de cada uma das personagens como se fossem as minhas e daí retirar preciosos ensinamentos.

Existem dois momentos-chave, um deles em que me deu um enorme aperto na garganta e dificuldade em engolir, e outro pelo qual ansiei durante muitas páginas, que me colocou com um sorriso no rosto.

Por vários motivos foi um prazer ler este livro, ou não fosse o Outono a minha estação favorita, com tudo o que ela implica. Roubei meio ponto ao livro pelo simples facto de que queria um final que não me tivesse deixado no vácuo e talvez por um acontecimento, em particular, que me pareceu demasiado sensato para ser verosímil.

Com pena minha, verifiquei que Vilar de Centena é um lugar ficcional, certamente inspirado num qualquer lugar deste Portugal. Deixo como habitualmente alguns dos cenários deste livro.

Não posso deixar de referir que as fotografias da Sara Augusto são parte integrante deste livro e que o tornam mais especial ainda.

Rita Costa

Podem adquirir este livro aqui.

Um especial obrigada à Porto Editora.

Editorial Presença, Ken Follett, Livros

O Buraco da Agulha – Ken Follett

Cumprimentos ao Willi.

Ken Follett, O Buraco da Agulha

A minha estreia com este renomeado escritor não poderia ter sido melhor!

SINOPSE

O Buraco da Agulha, primeiro bestseller internacional de Ken Follett, é uma narrativa emocionante sobre como o destino da guerra depende de um espião, do seu adversário e de uma mulher corajosa.

A vitória está no horizonte.

1944. Nas semanas que antecedem o Dia D, os Aliados camuflam os seus planos de invasão com elaborados engodos constituídos por imitações de navios e de aviões. Se forem bem-sucedidos e conseguirem fazer chegar as tropas aliadas à Europa continental, ficarão mais perto de pôr termo a uma guerra que assolou o mundo durante anos a fio, vencendo a ameaça nazi.

Um assassino de sangue-frio.

A sua arma é um punhal, o seu nome de código: Agulha. É o melhor agente ao serviço de Hitler – um assassino profissional impiedoso. Em Inglaterra, descobre os planos dos Aliados para o Dia D, mas o seu disfarce é posto em causa durante a missão.

Uma perseguição mortal.

Deixando um rasto de corpos atrás de si, o agente Agulha abre caminho de forma implacável, em direção ao submarino que espera para o recolher e transportar, a ele e à mensagem crucial que leva consigo, para a Alemanha, com o MI5 no seu encalce. Mas não tinha planeado parar numa ilha fustigada pela tempestade onde habita uma mulher inesquecível…

SINOPSE ALARGADA & OPINIÃO

“O Buraco da Agulha” publicado em 1978 foi o primeiro bestseller de Ken Follett, um enorme orgulho para o escritor e um marco na literatura naquela época por ter como protagonista uma mulher, uma heroína.

Esta história ficcional com base em factos reais, devidamente suportada por um excelente trabalho de pesquisa histórica, transportou-me sem dificuldades para 1944, próximo do final da segunda Grande Guerra.

Aproximava-se o conhecido dia D, o desembarque das tropas na Normandia, a maior invasão por mar de toda a história. Os Aliados criaram um disfarce quase perfeito para ludibriar os muitos agentes secretos ainda infiltrados, uma gigante farsa com aviões, navios, tanques construídos em madeira e papelão, estrategicamente posicionados em Pas-de-Calais.

Este cenário visto do céu era totalmente credível, mas os olhos do melhor agente secreto de Hitler, Die Nadel, foram capazes de colocar em risco o plano para libertar finalmente os territórios europeus da ocupação nazi. O sucesso desta operação era vital para impedir que Hitler controlasse o resto do mundo e, por isso, os Aliados tudo fizeram para travar a Agulha.

Acompanhei esta história pela voz da Agulha, que tentava cumprir a mais importante das suas missões, de Godliman, um professor e historiador arrastado para a força secreta inglesa e de Lucy, uma mulher que se viu forçada a isolar-se numa ilha quase deserta depois de um trágico acidente.

Quando iniciei a leitura, os avanços foram lentos, inclusive temi não apreciar, como expectava. No entanto, à medida que a história avançava foi-se tornando cada vez mais interessante e difícil de abandonar. Acabei, ridiculamente, por tomar um partido e vibrar com os desenvolvimentos, ao contrário do escritor que ao longo de toda a história foi neutro.

Depois de ter lido na “Introdução à Edição” que havia neste livro uma mulher-heroína, imaginei uma participação mais ativa na história e, sobretudo, mais cedo. Ainda assim, tenho que reconhecer valor, porque nunca antes uma mulher tinha ocupado esta posição, muito embora, em parte, tenha sentido o papel feminino ligeiramente manchado por uma caracterização que me causou uma mistura de sentimentos, orgulho e vergonha.

Para meu espanto, descobri que este escritor é extremamente entendido em orgasmos femininos e em descrições sexuais dignas de um romance erótico.

Como referi a princípio, este livro foi uma excelente forma de me iniciar na vasta obra de Ken Follett, um romance de espionagem com todos os ingredientes necessários para o sucesso. Foi emocionante acompanhar a missão (impossível) de Die Nadel.

Rating: 9 out of 10.

Nas imagens seguintes estão alguns dos cenários mencionados ao longo deste livro.

Finalizada a leitura, decidi rematá-la com a visualização do filme que se baseou nesta obra. Infelizmente não apreciei e, pior, destruiu por completo a incrível imagem que construí do espião alemão. O livro é indiscutivelmente superior! Mas, de qualquer modo, caso tenham interesse, deixo a capa do filme e algumas imagens dos atores.

Nota: Este livro é a reedição do livro “O Estilete Assassino” e diga-se que é muito mais bonita! 😍

Rita Costa ❤

Podem adquirir este livro aqui.

Um especial obrigada à Editorial Presença.

Livros, Porto Editora, Viola Ardone

O Comboio das Crianças – Viola Ardone

O partigiano, portami via, o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao! O partigiano, portami via, ché mi sento di morir.

Bella ciao

SINOPSE

Nápoles, 1946
Amerigo, um menino de sete anos, deixa a vida que sempre conheceu em Nápoles e parte num comboio. Não sozinho, mas no meio de milhares de outras crianças do Sul de Itália que atravessam o país para passarem alguns meses com uma família do Norte, enquanto a sua terra natal se reconstrói do caos e da destruição.
Com o espanto típico de uma criança de sete anos e a astúcia de um rapaz de rua, Amerigo mostra-nos uma Itália que renasce da guerra e conta-nos como, mesmo renunciando a tudo – até ao amor da própria mãe, é nessa viagem que descobre o seu verdadeiro destino.

SINOPSE ALARGADA & OPINIÃO

Sabem aquele livro que nos aquece o coração? Foi este, sem dúvida! Com uma enorme simplicidade, a escritora Viola Ardone retratou uma das mais bonitas iniciativas de solidariedade, num tempo em que realmente se dava sem a mão estendida para receber.

No rescaldo da Segunda Guerra Mundial, Nápoles estava mergulhada em destroços e numa pobreza extrema. Não havia comida, nem tão pouco condições de salubridade. Assim, lembrou-se o Comité para a Salvação das Crianças de Nápoles de enviar milhares de crianças (cerca de 70.000) para a região Norte de Emilia-Romagna, onde várias famílias as receberam e alimentaram durante um certo período de tempo, enquanto o Sul tentava recuperar.

Neste romance, o pequeno Amerigo Speranza, dá-nos a conhecer a sua história de vida. No ano de 1946, este menino com 7 anos vivia com a sua mãe, Antonietta, em Nápoles, num basso minúsculo e sem condições. A mãe, ao saber das intenções de transportar as crianças até ao Norte do país, temeu, hesitou mas creu que poderia ser essa a salvação do seu filho e também a sua.

Então, algures no inverno, partiu Amerigo e milhares de outras crianças rumo ao desconhecido, no chamado “treni della felicità”. No Norte, em Modena, não só foi acolhido, nutrido, como também muito amado por uma família especial. Teve oportunidades e experiências que a vida de rua no Sul nunca lhe havia permitido.

No seio da sua família adotiva descobriu o seu destino, algo que num tempo de tanta miséria era inaceitável, pelo que para o alcançar teve que abdicar do amor da sua mãe.

Quando terminei a leitura o meu pensamento genuíno foi “Gostei tanto de ler este livro!”. Com uma escrita simples, porque obviamente é uma narrativa infantil, mas muito terna, inocente e, algo até divertida, o que dadas as circunstâncias é maravilhoso, consegui mergulhar numa época negra da história.

Gosto sempre de conhecer um pouco mais dos acontecimentos associados à 2ª Guerra Mundial, sobretudo de outros países menos abordados na literatura. Desconhecia por completo esta iniciativa. Foi de louvar a atitude das famílias do Norte, a forma como acolheram os filhos de estranhos e lhes deram o melhor que tinham.

A última parte do livro foi um abalo para o meu coração, foi difícil não me desfazer em lágrimas. Uma das maiores dores que o ser humano pode sentir é o arrependimento. Adorei, de coração, e recomendo muito!

Rating: 9 out of 10.

Algo que me ajuda a tornar uma história real é pesquisar se os factos são reais, inspirados ou fictícios e ver como eram os locais retratados. O pequeno Amerigo é uma criação da escritora, com base nos testemunhos que obteve.

Nestas fotografias observam-se os bassos napolitanos, apartamentos muito pobres, geralmente com apenas um compartimento, no piso térreo. O espaço era tão exímio que as pessoas acabavam por viver quase todo o tempo na rua.

Mais algumas fotografias que retratam os acontecimentos reais nos quais se baseia o livro: a pobreza, as ruas destruídas, os bassos, o comboio das crianças e receção das famílias do Norte.

Rita Costa ❤

Podem adquirir este livro aqui.

Camilla Läckberg, Editora Suma de Letras, Livros

A Gaiola de Ouro – Camilla Läckberg

Se te roubassem todos os sonhos, o que farias para te vingar?

SINOPSE

Uma história dramática sobre fraude, redenção e vingança.

Aparentemente, Faye parece ter tudo. Um marido perfeito, uma filha que muito ama e um apartamento de luxo na melhor zona de Estocolmo. No entanto, algumas memórias sombrias da sua infância em Fjällbacka assombram-na e ela sente-se cada vez mais como se estivesse presa numa gaiola de ouro. Antes de desistir de tudo pelo marido, Jack, era uma mulher forte e ambiciosa. Quando ele a engana, o mundo de Faye desmorona-se e ela tudo perde, ficando completamente devastada. É então que decide retaliar e levar a cabo uma cruel vingança…

Uma Gaiola de Ouro é um romance destemido sobre uma mulher que foi usada e traída, até tomar conta do próprio destino.

SINOPSE ALARGADA E OPINIÃO

Faye parece ter tudo, desfruta dos seus dias rodeada de luxo. Tem um belíssimo marido, Jack, que é um empresário de reconhecido sucesso. Juntos têm uma filha, Julienne, que é o seu maior projeto de vida. Vivem num apartamento invejável no centro de Estocolmo.

Apesar de ser dotada de uma inteligência acima da média, de ter sido sempre uma aluna exemplar, acabou por desistir do curso superior de Economia para apoiar a todos os níveis a criação da empresa que Jack e o seu melhor amigo, Henrik, ambicionavam.

Depois de se casarem e de a empresa ter atingido um estatuto impressionante, Faye acabou por ser relegada para o papel de dona de casa e de mãe dedicada.

Aos poucos, essa vida de faz-de-conta, numa “gaiola de ouro”, tornou-se insuficiente. Faye foi-se tornando uma mulher mais taciturna e cabisbaixa, desleixando-se. Acabou por se aperceber da perda de interesse de Jack por si, tanto a nível sexual, como afetivo.

Um dia o seu mundo desabou, quando apanhou o marido em flagrante com outra mulher, bastante mais jovem. Como se a traição não fosse suficiente, ainda foi confrontada com um pedido de divórcio. Foi expulsa de casa, de mãos a abanar, pois anos antes tinha assinado um acordo pré-nupcial, abdicando de qualquer valor em caso de separação do casal.

É este o mote para uma reviravolta extraordinária. Faye recorda todo o seu traumático passado, toda a raiva que havia abafado durante anos e, com a imagem de Jack a trai-la em mente, traça um plano insano para se vingar.

Parece uma história repleta de clichés, que de facto existem, mas que ninguém se deixe enganar, esta vingança é do mais inteligente e melífluo que conseguimos imaginar, que culmina com uma tremenda reviravolta.

A leitura é bastante acessível, envolvente e viciante. Esta história dá voz ao feminino, às mulheres que, embora brilhantes, vivem ofuscadas numa sociedade preconceituosa. De uma forma exagerada, obviamente, e utilizando um exemplo bastante rebuscado, é transmitido que as mulheres não podem, nem devem, abdicar do seu potencial profissional, nem abrir mão da sua dignidade numa relação, porque a traição não é aceitável sob nenhum ângulo!

Tudo nesta história foi um gigante turbilhão de emoções, paixão, raiva, nojo, frustração, tristeza. A fronteira que separa um livro muito bom, de um excelente, é a capacidade do(a) escritor(a) nos conseguir fazer sentir tudo e este é um perfeito exemplar!

Tânia: Foi o primeiro livro que li de Camilla Läckberg e não será, seguramente, o último. Tornei-me fã desta escritora nórdica!

Rita: Não obstante a todas as qualidades do livro, talvez seja relevante mencionar que nem tudo nesta personagem principal é positivo, bem pelo contrário! Apesar de alguns comentários depreciativos por parte de outros leitores, acredito que a distorção de Faye é parte integrante e fundamental desta história. Ansiosa pela continuação, que desconfio, poderá ser o desfecho verdadeiramente justo.

Rating: 10 out of 10.

Resumo conjunto (Rita Costa & Tânia Dias)

Poderão adquirir este livro aqui.

Alma dos Livros, Leslie Wolfe, Livros

A Rapariga Fatal – Leslie Wolfe

Muito se esconde no seio da normalidade.

SINOPSE

O seu rosto bonito, sereno e imóvel, apoiado sobre o braço. O seu cabelo longo e luxuriante, ondulando suavemente na brisa noturna. Os seus olhos semicerrados e um ténue sorriso nos lábios pálidos, como se acolhesse um amante invisível.

Quando o corpo de uma jovem é encontrado no jardim da sua própria casa, uma semana após o seu desaparecimento, as provas levam os investigadores a uma conclusão assustadora: ela não é a primeira vítima de um assassino em série que até então agira nas sombras. E, definitivamente, não será a última.

A agente especial do FBI Tess Winnett junta-se aos detetives locais em busca de respostas na intrigante investigação. O agressor deixa atrás de si uma série de indícios, mas nenhuma pista viável. Quando outro corpo é encontrado, a busca intensifica-se, fazendo emergir a invulgar imagem de marca do assassino. Ele gosta de perseguir as suas vítimas antes de sequestrá-las. Ele gosta de lhes oferecer um vislumbre do que está para chegar. Um presságio do futuro sem retorno.

SINOPSE ALARGADA & OPINIÃO

Sem que a agente Tess possa sequer ter oportunidade para convalescer após um grave ferimento ocorrido no decurso da última investigação, inicia-se uma nova corrida contra o tempo quando uma mulher lindíssima aparece morta no jardim da sua casa. Todos os indícios apontam para a existência de um serial killer que até então tinha agido na penumbra, sem deixar vestígios.

Como seria de se esperar, Tess ignorou a situação em que se encontrava e, mesmo a partir do hospital, decidiu que tinha de colaborar com a investigação.

Quando uma segunda mulher é raptada, os investigadores percebem que o prazo de vida de cada uma das vítimas é muito curto. Tentam, com todos os esforços, avançar rapidamente na investigação, inclusive tentam métodos pouco comuns utilizando o DNA. Rapidamente percebem que o assassino antes de consumar o rapto se exibe para a sua vítima, sob a forma de um “vislumbre da morte”, mostrando-lhe o que a espera.

A história desenrola-se num ritmo acelerado, com muita ação e suspense. Praticamente não existem momentos mortos nesta história, é uma corrida em contrarrelógio para tentar poupar a próxima vítima do trágico desfecho. Neste aspeto, dos três livros da autora, este foi o meu favorito, o que mais me entusiasmou.

Se no primeiro livro considerei a Inspetora Tess demasiado arrogante, no segundo já verifiquei uma mudança positiva na sua atitude e neste, mais ainda, tendo mostrado um lado humano e sensível que até então esteve fechado na sua couraça. Obviamente que não seria o mesmo sem o seu mau feitio! São precisamente estas nuances que nos unem às personagens, porque as tornam mais reais.

Perguntam vocês: “Então porque não atingiu a pontuação máxima?”. Simplesmente porque estou à espera do livro em que eu chegue ao final completamente no limbo, sem sequer sonhar quem é o assassino. Tal ainda não aconteceu e este é mesmo o único senão! De propósito, ou sem quer, não sei, a autora quase me surpreendeu, por momentos fiquei “não, não pode ser…”, e mais não digo, pois seria spoiler!

Aqui ficam, como habitualmente, os cenários deste livro. Sendo que alguns não são exatamente cenários, mas sim imagens que, de algum modo, representam esta trama.

Rating: 9 out of 10.

Curiosos? Eu estou ansiosa pela próxima investigação!

Rita Costa ❤

Podem adquirir este livro aqui.

Um especial obrigada à editora Alma dos Livros.

Charlie Donlea, Editorial Presença, Livros

A Rapariga do Lago – Charlie Donlea

Apesar de tudo o que ela fez.

Charlie Donlea, A Rapariga do Lago

SINOPSE

Nenhum suspeito. Nenhum motivo aparente. Apenas uma rapariga que inesperadamente é encontrada morta.

Alguns lugares parecem demasiado belos para serem tocados pelo horror. A pequena cidade de Summit Lake, aninhada nas montanhas de Blue Ridge, na Carolina do Norte, é um desses lugares. Mas, há duas semanas, Becca Eckersley, uma estudante universitária de Direito, filha de um advogado poderoso, foi aí brutalmente assassinada. A cidade está em estado de choque e a polícia não dispõe de qualquer pista relevante.

De início, a repórter de investigação Kelsey Castle pensa que este é um caso simples de resolver. No entanto, a brutalidade do crime e os esforços para o manterem longe do mediatismo prenunciam algo bastante mais sinistro do que um crime aleatório perpetrado por um estranho. À medida que Kelsey investiga, apesar dos avisos e dos perigos que surgem no horizonte, ela começa a sentir uma crescente ligação à rapariga assassinada. E quanto mais descobre sobre as amizades de Becca e a sua vida amorosa – bem como sobre os seus segredos -, mais Kelsey se convence de que reconstituir os passos da vítima poderá ajudá-la a superar o seu próprio passado sombrio…

SINOPSE ALARGADA & OPINIÃO

Depois de ler o resumo deste livro soube de imediato que a história tinha muito potencial! Felizmente, as minhas expetativas não foram defraudadas!

Nesta história, dividi a minha atenção entre duas protagonistas femininas, Re(Becca) Eckersley, uma jovem estudante de direito, bem vista por todos, que foi brutalmente assassinada, e Kelsey Castle, uma jornalista de investigação muito ambiciosa e profissionalmente bem sucedida.

A morte de Becca aconteceu na lindíssima e pacata cidade de Summit Lake, onde os pais dela tinham uma casa de férias. Tinha-se dirigido lá em busca de concentração para estudar para um importante exame, que nunca chegou a realizar.

Antes da notícia se tornar título de todos os meios de comunicação, o patrão de Kelsey enviou-a para Summit Lake para escrever um artigo sobre a morte de Becca. Apesar de inicialmente reticente, cedo sentiu forte conexão com aquela rapariga, a quem a vida foi decepada demasiado cedo, em circunstâncias de extrema violência.

Apesar de escassearem provas, muito devido ao poder do pai de Becca, um influente advogado, que não queria manchar o seu nome com os contornos da morte da filha expostos, Kelsey tornou-se incansável e, quase obsessiva, na busca da verdade. Neste percurso cruzou-se com várias pessoas daquela terra que a ajudaram a desvendar os muitos segredos da vida de Becca e a perceber quem colocou fim à sua vida.

Ficam alguns dos cenários deste livro.

Neste livro senti o poder da amizade e do amor, no bom e mau sentido, e percebi que uma pequena mentira (ou omissão) pode desencadear consequências inimagináveis. Na medida em que gosto de livros que me revoltem, foi interessante ver abordado, ainda que não diretamente, o tema da discriminação sexual no que concerne a comportamentos apropriados para as mulheres.

É indubitavelmente um bom thriller/policial, que, para além de ser de leitura bastante viciante, é original no modo como a investigação se desenrola e é conduzida. Adorei ambas as protagonistas! Não suspeitei minimamente do twist que aconteceu perto do final, o que aumentou bastante o meu entusiasmo com o livro!

De negativo tenho a apontar a existência de algumas situações que são, claramente, “demasiada coincidência”, verdadeiros clichés, bem como determinados aspetos na investigação me parecem muito pouco verossímeis, se não, impossíveis.

Mas, vejamos, é um livro, é ficção e conseguiu prender-me desde as primeiras páginas! Espero realmente que os livros do autor continuem a ser editados em Portugal.

Rating: 8.5 out of 10.

Rita Costa ❤

Podem adquirir este livro aqui.

Um especial obrigada à Editorial Presença.